Ação in vitro de tiofanato-metílico no controle de patógenos de podridão carpelar em macieira

Resumo

A podridão carpelar representa um desafio fitossanitário expressivo na cultura da macieira (Malus domestica), sendo causada por diversas espécies de fungos. Falhas no manejo itossanitário, particularmente durante o estádio fenológico da floração, período de menor disponibilidade de ativos químicos, podem favorecer a seleção de isolados com resistência adquirida, comprometendo a sustentabilidade da cadeia produtiva. O objetivo do trabalho foi avaliar a sensibilidade in vitro de isolados fúngicos causadores de podridão carpelar ao fungicida tiofanato-metílico. O experimento foi conduzido no Laboratório de Fitopatologia da Estação Experimental da Epagri de São Joaquim (EESJ), durante o ano de 2026. Adotou-se o delineamento experimental Inteiramente Casualizado (DIC), com três tratamentos e quatro repetições. Os patógenos utilizados no experimento foram isolados de frutos de produtores da região. O fungicida foi incorporado ao meio de cultura batata-dextrose-ágar (BDA) para atingir as concentrações finais de 0 g L⁻¹ (testemunha), 420 mg L⁻¹ (dose recomendada pelo fabricante) e 840 mg L⁻¹ (dobro da dose). Os parâmetros analisados incluíram a taxa de crescimento micelial e a liberação de esporos. As avaliações do crescimento micelial foram realizadas a cada 48 horas, por meio da medição do diâmetro das colônias, e contagem de esporos após 40 dias de inoculação. Observou-se que, os isolados de Fusarium spp., Alternaria spp. e Neofabraea spp. apresentaram crescimento micelial e esporulação ativa para as doses 420 mg L⁻¹ e 840 mg L⁻¹. O isolado de Colletotrichum spp. manteve o crescimento micelial e esporulação para a dose comercial, enquanto que na dose dobrada não observou-se esporulação. Por outro lado, o isolado de Botryosphaeria spp. foi o único a apresentar sensibilidade ao fungicida, independentemente da dose utilizada. Conclui-se que os isolados avaliados apresentam respostas distintas ao tiofanatometílico, com resistência de Fusarium spp., Colletotrichum spp., Alternaria spp. e Neofabraea spp., enquanto Botryosphaeria spp. apresenta sensibilidade ao fungicida, evidenciando a variabilidade de resposta entre os fungos avaliados.

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