Sonia Guimarães e os sensores de radiação infravermelha: uma análise de um fato científico envolvendo uma cientista negra sob a perspectiva naturezas-culturas

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Historicamente, contribuições femininas na área das ciências e tecnologias foram frequentemente invisibilizadas. Apesar dos avanços nesse sentido, as chances de sucesso e de reconhecimento das mulheres em tal área são limitadas. Isso se torna ainda mais complexo para mulheres negras, que enfrentam o desafio duplo de estarem em oposição à norma da masculinidade e da branquitude. Devido a isso, consideramos importante refletir sobre a trajetória de cientistas negras. Portanto, decidimos atentar-se a de Sônia Guimarães, primeira brasileira negra a obter doutorado em Física, particularmente à sua contribuição no desenvolvimento de sensores de radiação infravermelha. Dentre as diferentes possibilidades de se contar essa história, optamos por tomar como referência a perspectiva naturezas-culturas. Logo, o objetivo almejado consistiu em investigar aspectos relativos à trajetória de Sônia Guimarães, a fim de contar uma história sobre seu trabalho no desenvolvimento dos sensores de radiação infravermelha para cabeças de mísseis, com base em uma perspectiva naturezas-culturas. Em busca de alcançá-lo, realizamos uma entrevista com a pesquisadora, que foi tanto elaborada quanto analisada com base nos cinco circuitos do Sistema Circulatório dos Fatos Científicos, proposto por Bruno Latour. Ademais, a análise da entrevista incluiu autores que discutem sobre gênero e raça. Como resultados, foi possível identificar que os sensores de radiação infravermelha para cabeças de mísseis são fruto de uma rede complexa, que envolve atores humanos e não humanos, dentre eles a própria Sônia Guimarães, elementos químicos, equipamentos de laboratório, conhecimentos técnicos, colegas, Ministério da Defesa, etc. Afinal, cada ator, humano ou não humano, teve um papel importante para que a radiação infravermelha pudesse ser transformada em sinais detectáveis e úteis em um sensor para fins militares. A pesquisa evidenciou também que o desenvolvimento desse fato científico foi atravessado por dinâmicas de prestígio, hierarquias, machismo e racismo estrutural. Desse modo, permitiu reafirmar que a ciência é coletiva, situada e atravessada por múltiplas dimensões e que contar essa história pode ser uma forma de contribuir para a valorização de conhecimentos produzidos por mulheres negras na ciência brasileira.
Historically, women’s contributions to science and technology have often been rendered invisible. Despite some advances, the chances of success and recognition for women in these fields remain limited. This becomes even more complex for Black women, who face the dual challenge of standing in opposition to the norms of masculinity and whiteness. Because of this, we consider it important to reflect on the trajectories of Black women scientists. Therefore, we chose to focus on the path of Sônia Guimarães, the first Black Brazilian woman to earn a PhD in Physics, particularly her contribution to the development of infrared radiation sensors. Among the different possibilities for telling this story, we decided to take the nature-cultures perspective as our reference. Thus, our goal was to investigate aspects of Sônia Guimarães’s trajectory in order to narrate her work in developing infrared radiation sensors for missile seeker heads, based on a nature-cultures framework. To achieve this, we conducted an interview with the researcher, which was both designed and analyzed using the five circuits of the Circulatory System of Scientific Facts proposed by Bruno Latour. In addition, the analysis of the interview incorporated authors who discuss issues of gender and race. As a result, we identified that infrared radiation sensors for missile seeker heads emerge from a complex network involving human and non-human actors, including Sonia Guimarães herself, chemical elements, laboratory equipment, technical knowledge, colleagues, the Ministry of Defense, and others. Each actor, human or non-human, played an important role in enabling infrared radiation to be transformed into detectable and useful signals in a sensor for military purposes. The research also showed that the development of this scientific fact was shaped by dynamics of prestige, hierarchies, sexism, and structural racism. In this way, it reaffirmed that science is collective, situated, and traversed by multiple dimensions, and that telling this story can contribute to the recognition of knowledge produced by Black women in Brazilian science.

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Citação

MONSANI, Angelina. Sonia Guimarães e os sensores de radiação infravermelha: uma análise de um fato científico envolvendo uma cientista negra sob a perspectiva naturezas-culturas. 2025. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Física) – Instituto Federal de Santa Catarina, Araranguá, 2025.