Habitus e distinção de classe no figurino de "Sra. Harris vai a Paris".

Resumo

Este estudo analisa como o figurino do filme Sra. Harris Vai a Paris (2022) materializa a distinção de classe entre a protagonista, uma faxineira em Londres, e as clientes da Maison Dior em Paris, no final da década de 1950. A pesquisa apoia-se nos conceitos de habitus, distinção e produção da crença do sociólogo Pierre Bourdieu, além de realizar uma validação histórica ao comparar os figurinos do filme com as peças originais do acervo digital do Musée Christian Dior. Os resultados indicam que o vestuário da protagonista é definido pelo habitus da necessidade, transposto pelos tecidos, formas e marcas de uso que evidenciam a classe trabalhadora. Em contraste, as roupas das clientes na Maison Dior são definidas pelo habitus da distinção com o uso de silhuetas estruturadas, bordados, acabamentos manuais refinados e exclusividade por meio de uma ritualística executada no ateliê, própria do campo. Conclui-se que o valor de um vestido de alta- costura vai além dos materiais ou do trabalho técnico artesanal, sendo sustentado pela crença no prestígio da grife, o que transforma a etiqueta assinada pela maison em um forte símbolo de distinção e capital simbólico.

Descrição

Citação

OLDENBURG, Natanael Rodrigo. Habitus e distinção de classe no figurino de "Sra. Harris vai a Paris". 2026. Trabalho de Conclusão de Curso (Tecnologia em Design de Moda) - Instituto Federal de Santa Catarina, Jaraguá do Sul, 2026.